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“Vaca de Sertanópolis” provoca alarde

“Vaca de Sertanópolis” provoca alarde

O bloqueio do Japão à carne brasileira terá impacto reduzido e o receio demonstrado por Rússia e Irã deve ser dissolvido com informações. Essa é a avaliação das autoridades brasileiras, uma semana após terem confirmado à comunidade internacional que uma vaca morta em dezembro de 2010 em Sertanópolis (Norte do Paraná) portava o agente causador da “doença da vaca louca”, ou Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB).

O caso ainda provoca tensão no mercado. Nos últimos dois dias, enquanto técnicos brasileiros se revezavam em reuniões com autoridades japonesas, representantes da Rússia e do Irã mostravam desconfiança. Foi confirmado ontem o bloqueio de quatro contêineres com carne brasileira em Bandar Abbas, principal porto comercial do Irã, pela IVO, a agência veterinária iraniana. Na véspera, a Rússia, admitiu estudar novo embargo à carne brasileira, num momento em que a presidente Dilma Rousseff tenta, em visita a Moscou, por fim a restrições impostas um ano e meio atrás.

Sigilo cerca o caso e a fazenda onde a vaca foi encontrada

As autoridades sanitárias estão mantendo sigilo sobre a fazenda onde aconteceu o “achado priônico”, em Sertanópolis. Os agentes de defesa agropecuária dizem desconhecer a área que ajudaram a monitorar em 2010 e não saber a quem pertencia o bovino que portava o agente da doença da vaca louca, chamado de príon. Alegam que esse sigilo vem sendo mantido a pedido dos próprios pecuaristas. E que só haveria algum risco se um animal se alimentasse com ração feita com o príon encontrado há dois anos.

O município de Sertanópolis tem 15,5 mil habitantes e fica a 430 quilômetros de Curitiba, no Norte do Paraná, e prefere a agricultura à pecuária. Tem cerca de 12 mil cabeças de bovinos, o equivalente a 22% do total concentrado em Londrina, na mesma região, ou apenas 8% do rebanho de Ortigueira, o município do Paraná que mais cria gado. É o que mostram os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2011. Com terra roxa avermelhada e fértil, dedica 26 mil hectares à soja e 16 mil ao milho. Só 10% dos 640 estabelecimentos rurais de Sertanópolis criam animais de corte ou de leite.

Rússia e Irã estão entre os maiores importadores de carnes do Brasil, comprando o equivalente a US$ 100 milhões e US$ 20 milhões ao mês, respectivamente. O Japão, único a confirmar embargo, tem pouco peso nas vendas externas da pecuária brasileira. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), de janeiro a outubro, o Japão importou 1,39 mil toneladas de derivados de carne bovina do Brasil (1,54% do volume total), pagando US$ 7,64 milhões (1,38% do faturamento).

Além de repassar mais informações, não há motivo para medidas sanitárias extras, disse ontem o presidente da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Inácio Kroetz. “Não temos nada para mudar. Nosso sistema de vigilância é tão refinado que conseguiu detectar o caso de Sertanópolis, um achado casual. (…) O embargo japonês é uma medida de proteção ao consumidor. Agora é hora de o Brasil dar explicações, garantias. Nenhum país é considerado livre da EEB”, declarou.

O Brasil manteve sua condição de área de risco insignificante, a melhor posição na escala. O ex-chefe de Fiscalização e Defesa Agropecuária do Paraná, Silmar Buhrer, que agora integra a Adapar, disse que, comparada à crise da aftosa deflagrada em 2005, o caso da “vaca de Sertanópolis” terá impacto pequeno no setor. Ele avalia que não há razões para embargos e a segurança do consumidor está garantida.

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