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Argentina afeta mais Brasil do que Europa

Argentina afeta mais Brasil do que Europa

Argentina afeta mais Brasil do que EuropaRoberta Scrivano

Exportações brasileiras sofrem com barreiras do país vizinho

SÃO PAULO- A má fase econômica e a instabilidade política da Argentina estão afetando as exportações brasileiras com mais força do que a crise europeia. De abril a julho, mesmo com o câmbio acima de R$ 2, as vendas do Brasil a outros países caíram US$ 6,1 bilhões sobre igual período do ano passado. Os argentinos foram responsáveis por 32% da redução, com o encolhimento de US$ 1,96 bilhão das compras dos produtos brasileiros. Já a União Europeia importou US$ 1,67 bilhão menos, ou 27% do total da queda das vendas brasileiras.Em todas as categorias (bens de capital, intermediários, duráveis, não duráveis e combustíveis) o Brasil registrou variação negativa nas exportações entre abril e julho. Mas as perdas mais nítidas foram na indústria, sobretudo em bens de capital (-14%) e de consumo duráveis (-12%) — dos quais os principais compradores são os argentinos, com 60% do total exportado pelo Brasil.— O problema está na economia argentina e isso nos preocupa. O mau desempenho das exportações é ruim para a nossa economia. As medidas do governo surtirão efeito na indústria neste semestre, e o fator exportação pode segurar o PIB do ano — diz Júlio de Almeira, consultor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).Especialistas explicam que a Argentina tem forçado a redução de importação com barreiras comerciais para encerrar o ano com superávit. E está trocando produtos brasileiros por chineses, mais baratos. José Augusto de Castro, diretor da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), chama o “macete” da presidente Cristina Kirchner e seu braço direito, o ministro Guillermo Moreno, de “jeitinho argentino”.— Após o calote argentino, eles não têm mais crédito. E não vendem títulos do governo porque não há quem confie no país. Como não exportam quase nada, a saída é ter superávit na balança impondo barreiras. A situação está tão crítica que a Fiesp vai propor ao governo argentino que seja usada a moeda local no comércio entre os dois países, para reaquecer a relação bilateral. As restrições argentinas já fizeram exportadores brasileiros desistirem de negócios no país vizinho. Um exemplo é Astor Ranft, sócio da Calçados Pegada, do Rio Grande do Sul, que vendia sapatos masculinos de couro à Argentina:— Abandonamos o país porque não havia como trabalhar Marcelo Palubettio, diretor da Democrata, exportadora de sapatos, diz que há dias em que suas lojas não têm mercadoria. Apesar de a Argentina ter mercado promissor, ele diz que com a instabilidade política “não há como crescer”.

Fonte: O Globo

email: [email protected]

A má fase econômica e a instabilidade política da Argentina estão afetando as exportações brasileiras com mais força do que a crise europeia. De abril a julho, mesmo com o câmbio acima de R$ 2, as vendas do Brasil a outros países caíram US$ 6,1 bilhões sobre igual período do ano passado. Os argentinos foram responsáveis por 32% da redução, com o encolhimento de US$ 1,96 bilhão das compras dos produtos brasileiros. Já a União Europeia importou US$ 1,67 bilhão menos, ou 27% do total da queda das vendas brasileiras.

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