Sindicato Rural mobiliza políticos contra o aumento do Fundersul
O Sindicato Rural de Dourados está realizando um intenso trabalho junto a classe política do Estado para expor a preocupação e a contrariedade da classe diante da proposta de aumento das alíquotas do Fundersul (Fundo de Desenvolvimento Rodoviário de Mato Grosso do Sul). Na manhã desta segunda-feira (11), a Diretoria do Sindicato se reuniu com o deputado estadual Renato Câmara (PMDB), apresentou as reivindicações do setor e solicitou o apoio do parlamentar.
“A agropecuária é a força motriz de Mato Grosso do Sul. Nós produtores rurais somos responsáveis por cerca de 30% do nosso PIB [Produto Interno Bruto] e 95,2% das exportações. O agronegócio gera emprego e renda e devido à sua importância socioeconômica, pedimos o apoio dos deputados estaduais para que votem contra o aumento proposto pelo Governo do Estado. O país passa por uma grande crise econômica e devemos buscar alternativas para o equilíbrio econômico, porém, sem penalizar nenhum setor, principalmente o da agropecuária”, afirmou Lúcio Damália, presidente do Sindicato Rural de Dourados.
A luta contra a aprovação do projeto também está sendo realizada em todo o Estado pela Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul) e pela Aprosoja/MS (Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul).
No encontro, o deputado recebeu diversas reivindicações dos ruralistas, que relataram o momento de dificuldade e preocupação enfrentado pelo setor em virtude de diversos fatores, como a estiagem. “Estamos preocupados com a situação enfrentada pelos nossos produtores rurais. Recebemos relatos preocupantes, por parte dos diretores do Sindicato Rural de Dourados, que temem que um possível aumento na contribuição do Fundersul possa inviabilizar a atividade no Estado. É uma pauta extremamente séria e complexa, que exige muita análise e responsabilidade por parte de todos os envolvidos. Vamos nos aprofundar neste debate na Assembleia Legislativa para que possamos encontrar uma alternativa que viabilize os investimentos em infraestrutura que o Estado tanto necessita, mas sem prejudicar o setor produtivo, que é um dos pilares do desenvolvimento de MS”, analisou Renato Câmara.
A proposta de número 00451/2019, de autoria do Poder Executivo estadual, foi protocolada no último dia 31, na Assembleia Legislativa.
O Fundersul é cobrado sobre a safra de grãos, pecuária, cana-de-açúcar e eucalipto. Segundo o Portal da Transparência, nos últimos quatro anos, a arrecadação do fundo teve aumento de 56%, saltando de R$ 411,8 milhões para R$ 642,6 milhões.
Se a proposta for aprovada, o agricultor vai pagar até 51,2% a mais pelo Fundersul. De acordo com a proposta protocolada no mês passado, a contribuição sobre a tonelada de soja, principal produto sul-mato-grossense, terá aumento de 42,4%, passando de R$ 10,55 para R$ 15,03. Já sobre a venda de gado, que atualmente possui três faixas de cobrança, com valores que oscilam entre R$ 8,50 a R$ 13,30 por cada animal vendido, a mudança prevê que o valor pago pelo pecuarista terá aumento de 71% e o número de faixas de cobrança passará de três para seis, oscilando o valor da contribuição por cabeça entre R$ 8,67 e R$ 22,83.
O milho, segundo no ranking sul-mato-grossense, terá aumento de 45,9%, passando de R$ 5,15 para R$ 7,51. O produto que será mais taxado será o algodão, que terá aumento de 49,8% na contribuição para o Fundersul, passando de R$ 29,69 para R$ 44,49.
O impacto no setor sucroalcooleiro também vai ser grande. O aumento na contribuição sobre a tonelada da cana-de-açúcar será de 51,2%, como valor passando dos atuais R$ 0,82 para R$ 1,24.
Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a safra de grãos de Mato Grosso do Sul deverá crescer 7,8% na próxima safra, passando de 17,5 milhões de toneladas para 18,785 milhões, totalizando 4,9 milhões de hectares de área plantada. Já a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) estima que a produção de cana-de-açúcar sul-mato-grossense será de 49,9 milhões de toneladas, com a produção de 3,3 bilhões de litros de etanol e 865 mil toneladas de açúcar.
Para garantir que a proposta não seja aprovada na Assembleia Legislativa, a Diretoria do Sindicato Rural de Dourados está junto com a Famasul e a Aprosoja construindo e participando de diversas agendas políticas, com o objetivo de conscientizar os deputados estaduais para votar contra a proposta, que se aprovada, vai trazer inúmeros prejuízos para os produtores rurais.
Assessoria de Imprensa

