Sindicato Rural repudia violência e cobra ação
Da Assessoria
O presidente do Sindicato Rural de Dourados, Marisvaldo Zeuli, disse no sábado que o assassinato ‘covarde’ do produtor rural Arnaldo Alves Ferreira, 68, morto por índios que estavam acampados em uma área vizinha à dele, em Douradina, merece o repúdio de toda sociedade. “Da mesma forma que não aceitamos a violência de nenhum produtor contra os povos indígenas, não podemos considerar normal com um grupo de índios faça um produtor refém e torture ele até a morte, como aconteceu em Douradina”, desabafa Marisvaldo.Ao cobrar uma ação rápida e eficiente dos organismos de segurança pública na investigação desse caso saliente que “imagine se a situação fosse contrária, com um grupo de produtores fazendo um índio refém e espancando ele até a morte. Hoje, teríamos um gigantesco aparato da Polícia Federal atrás dos acusados e a Secretaria Nacional dos Direitos Humanos estaria em Dourados, junto com as ONGs internacionais, clamando por Justiça”.“O produtor rural de 68 anos não merece direitos humanos e a morte dele não deve despertar nas autoridades o mesmo clamor de Justiça?”, questiona.Ele faz coro à fala de representantes do setor ruralista que afirmam que o crime ocorrido na noite de sexta-feira, quando indígenas assassinaram brutalmente o produtor rural em Douradina, é fruto do descaso do governo federal e da insubordinação da Funai. “Não defendo tratamento diferente para o produtor, quero apenas que se faça cumprir o preceito constitucional de que todos são iguais perante a lei e que se use na investigação dessa barbárie as mesmas ferramentas que seriam usadas para apurar o caso se a vítima fosse um índio”, conclui.Para Rui Fachini, diretor-secretário da Famasul (Federação da Agricultura de Mato Grosso do Sul), foi uma crueldade o que fizeram com produtor rural Arnaldo Alves Ferreira, que foi amarrado e torturado até a morte por cerca de 30 indígenas que invadiram sua propriedade de 30 hectares. “Trinta contra um é uma covardia, não deixaram nem a ambulância entrar. A polícia teve que buscar reforços para conseguir entrar na propriedade e prestar o socorro à vítima, que morreu no local à espera de socorro”, reclamou Fachini.Ainda segundo ele, a sociedade precisa compreender que o problema não é apenas dos produtores rurais, mas de toda a sociedade. “Ao todo temos 56 propriedades rurais legais e produtivas que estão invadidas por indígenas, mas o governo federal infelizmente é omisso e por isso a situação se agrava. Índios e produtores são reféns desta situação”, complementou.Almir Dalpasquale, também diretor da Famasul, reiterou que casos assim somente ocorrem por conta da falta se posicionamento do governo federal, que procrastina a solução definitiva dos conflitos e prejudica o setor mais produtivo da economia brasileira.O assessor jurídico da Famasul, Carlos Coldibelli afirmou que a Funai seria a fomentadora das invasões indígenas contra propriedades privadas, produtivas e tituladas. “A questão é de soberania nacional e de interesse coletivo. A maioria desses problemas ocorrem por conta da Funai, que contraria o supremo ao exigir a ampliação de terras indígenas já demarcadas”, explicou. Condibelli disse também que um dos maiores problemas é que a Funai incentiva a demarcação de terras que nunca pertenceram aos indígenas.Ainda conforme os ruralistas, atualmente 13% do território nacional já pertence aos indígenas, que hoje possuem uma população estimada em 600 mil pessoas. “Com 13% do território nacional existe 215 hectares de terra para casa índio, enquanto para os não índios o número é bem menor, apenas três hectares por pessoa”, disse Fachini. Ele ressalta que existem 80 ações na Justiça sul-mato-grossense, tratando de conflitos entre os produtores rurais e os povos indígenas.
